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Saúde do Trabalhador Rural e uso de agrotóxicos são temas discutidos em Dianópolis (TO)

CARAVANA DO TRABALHO SEGURO

“Saúde do Trabalhador Rural e Utilização de Agrotóxicos” foi o tema escolhido pela Caravana do Trabalho Seguro para conscientizar trabalhadores rurais sobre o impacto do uso de agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente.
publicado: 17/09/2015 07h46 última modificação: 17/09/2015 07h53
Colaboradores: Flavia Correa

“Saúde do Trabalhador Rural e Utilização de Agrotóxicos” foi o tema escolhido pela Caravana do Trabalho Seguro para conscientizar trabalhadores rurais sobre o impacto do uso de agrotóxicos para a saúde humana e o meio ambiente. A iniciativa é do Grupo Interinstitucional do Programa do Trabalho Seguro da 10ª região (Getrin), coordenado pelo desembargador Mário Caron.

A ideia de realizar o evento em Dianópolis partiu da população da própria cidade, uma vez que Tocantins desponta como a nova fronteira agrícola brasileira devido ao cultivo de alta produção de grãos, principalmente nos estados vizinhos do Maranhão, Piauí e Bahia.

Abertura- Ao abrir o evento, o desembargador Mário Caron lembrou as dificuldades de se organizar a Caravana, como a greve dos servidores, os poucos recursos para alimentação e para o transporte.“Mesmo com essas adversidades, estamos aqui. Nunca foi cogitado desistir”, disse. Sobre o tema da pauta, frisou a importância do trabalho rural e o valor de que todos tenham um trabalho digno. Citou artigos da Constituição e ressaltou a necessidade de que toda a propriedade atenda a sua função social.

Palestras- O procurador regional do trabalho e coordenador do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, Pedro Luiz Serafim da Silva, falou sobre o adoecimento do trabalhador rural em face dos impactos dos agrotóxicos. Disse que o Brasil hoje ocupa o primeiro lugar em consumo de agrotóxicos. “Isso significa risco não só para a saúde do trabalhador, mas para o meio ambiente e para o consumidor”.

José Jeremias Fernandes, professor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e mestre em agronomia, discutiu sobre a utilização dos agrotóxicos: técnicas e cuidados necessários à saúde do trabalhador rural. Ele explicou que um manejo planejado, com práticas alternativas, controles biológicos, a utilização de novas tecnologias e uma menor aplicação de agrotóxico poderá minimizar os efeitos danosos à saúde do trabalhador rural. Também frisou a importância do cuidado em usar todo o equipamento de proteção individual e de se utilizar uma concentração recomendada e assistida por um profissional da Agronomia.

Já a professora e coordenadora de pesquisa do Centro Universitário Luterano de Palmas e doutora em Engenharia Agrícola, Conceição Aparecida Previero, trouxe para a discussão o tema agroecologia e o desenvolvimento rural sustentável. Para ela, a agroecologia vai além dos modismos. Falou sobre o pequeno produtor rural, o que sustenta a agroecologia e a produção orgânica no Brasil. Disse que ele precisa ter mais autonomia para decidir sobre sua terra, mas para isso, há a necessidade de uma organização social.

Para finalizar, Cleber Adriano Rodrigues Folgado,camponês e membro do Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Água. No seu pronunciamento,explicou que hoje existem dois modelos de agricultura que estão em disputa: o agronegócio, que é um modelo hegemônico e impossível de se promover saúde; e as experiências com a agroecologia, que têm demonstrado, em quantidade e em qualidade de produção de alimento que ajuda na promoção da saúde, tanto do trabalhador como da população.

Concurso - No final das palestras, aconteceu a premiação do concurso de redação que elegeu os três melhores textos sobre o tema “ Saúde do Trabalhador e Utilização de Agrotóxicos” cujos participantes foram estudantes das escolas da região sudeste do estado do Tocantins. Todos ganharam um tablet patrocinado pela Credijustra, parceira do Getrin.

Texto: Flávia Correa